21/03/2010

Chega de engano santo!


Por Clóvis Cabalau



Certa vez, assistia a um culto quando o pastor bradou:
– O Diabo não brinca em serviço, irmãos!

A irmãzinha, obviamente desatenta, ao perceber o tom de voz elevado do pregador, não titubeou: – Glória a Deus! Aleluuuuuia!

Eu e minha amada esposa nos entreolhamos como quem perguntava um para o outro: “Ué, e desde quando mencionar uma ‘qualidade’ do diabo é motivo para glorificar?”

A cena, absolutamente verídica, ilustra bem uma realidade triste de nossas igrejas: a palavra que se prega, para alguns, é menos importante que a performance do pregador. Ou seja, frases de efeito e uma voz bem impostada, com suposta “autoridade”, faz mais efeito que um bom embasamento bíblico.

Amados, não fomos feitos seres pensantes por acaso. A palavra não nos ensina a calar a voz diante de teatralizações espirituais e “revelamentos” sem fundamento. O apóstolo Paulo nos alerta sobre os falsos profetas e destaca a prudência daqueles que examinam, na Palavra, tudo o que ouvem (At 17:11, 1Ts 5:21). A seu discípulo Timóteo, ele recomenda o bom manejo da palavra da verdade (2Tm 2:15). O próprio Jesus nos alerta que homens fariam maravilhas (lê-se manifestações sobrenaturais) e expulsariam demônios em seu nome, mas que estes não tinham parte com Ele (Mt 7:15-27). O que diferenciam os falsos dos verdadeiros profetas não são os milagres, mas os frutos, os bons frutos.

Incomoda-me perceber como mercadores da fé estufam seus bolsos de dinheiro à custa da ingenuidade dos crentes. É triste ver a idolatria em nosso meio. Fico perplexo ao ver pregadores endeusados, novidades e modismos invadindo as igrejas sem o devido exame ou básico apelo ao dom do discernimento. Chateia-me também os legalistas fazendo cara feia para um determinado ritmo de música ou tipo de roupa usada pelos cristãos do século XXI, como se Deus estivesse preocupado com isso [não estou descartando a decência, logicamente].

Pregadores itinerantes vendem milagres com suas performances teatrais e, com extrema facilidade, a igreja “pega fogo” [crente adora uma novidade]. Irmãos, fogo que não traz transformação de vida é fogo estranho. Sei que não vou receber tapinhas nas costas por fazer alguns alertas aqui. Mas prefiro dar a cara à tapa a ficar inerte. Sei que estou a anos luz do servo que o Senhor espera de mim. E também estou longe do conhecimento que preciso e gostaria de ter. Mas tenho a convicção de que o Espírito Santo está abrindo a mente e os olhos de uma nova geração de revolucionários. Crentes afinados com a Palavra, preocupados com o próximo, com o social, com salvação de vidas e que não se deixam enganar.

Fonte: Pulpito Cristao

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